O Etarismo na Caixa Econômica Federal: Desafios e Soluções para Combater a Discriminação Etária
05 de Dezembro de 2024
O Etarismo, que se refere à discriminação com base na idade, tem se tornado uma questão crescente em diversas instituições, incluindo a CAIXA. Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, o Etarismo não afeta apenas os mais velhos, mas também os mais jovens, assim como cria desafios para aqueles que estão em transição para a aposentadoria ou ainda continuam trabalhando após se aposentarem. Neste artigo, discuteremos o tema e abordaremos os desafios enfrentados pelos trabalhadores com mais tempo de empresa, aposentados, e os que optam por continuar trabalhando mesmo sem se aposentarem, buscando soluções para inibir a prática.
O contexto atual na Caixa Econômica Federal
A Caixa Econômica Federal conta com um grande número de empregados que atingiram a idade de aposentadoria, mas continuam em atividade. De acordo com dados de 2023 da própria Caixa, cerca de 13,4% dos seus funcionários têm 60 anos ou mais, com uma parcela significativa dessa população permanecendo no cargo por questões financeiras. Para muitos, o valor da aposentadoria não é suficiente para manter o padrão de vida e, por isso, optam por continuar trabalhando, mesmo com direito a aposentadoria.
Em uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2020, foi constatado que a discriminação etária no mercado de trabalho brasileiro tem impacto direto na empregabilidade, principalmente para aqueles com mais de 50 anos. Embora a legislação brasileira proíba a discriminação por idade, o Etarismo continua como uma prática presente em muitas empresas, incluindo a Caixa Econômica. Os trabalhadores mais velhos são frequentemente vistos como menos adaptáveis a inovações tecnológicas e menos produtivos, mesmo quando desempenham funções de confiança, o que dificulta sua ascensão na carreira.
Os desafios enfrentados pelos trabalhadores mais velhos
Embora parte dos trabalhadores mais experientes da Caixa Econômica Federal possuam funções de confiança e grande conhecimento institucional, muitos se veem em desvantagem ao tentar conciliar suas funções com as demandas de um mercado que privilegia a juventude. Com a rápida digitalização do sistema bancário, há uma pressão crescente para que os trabalhadores mais velhos se atualizem tecnologicamente. Essa situação, muitas vezes, é acompanhada por estigmas relacionados à sua capacidade de adaptação, um reflexo claro do Etarismo.
Além disso, observa-se em algumas situações as dificuldades de ascensão em cargos de liderança ou de gestão, já que o Etarismo velado pode ser um fator limitante para promoções. O desafio se intensifica para os servidores que, embora tenham funções de confiança, podem acabar sendo preteridos em favor de colegas mais jovens. Caso isso venha acontecer, nitidamente vai refletir um viés presente na gestão de pessoas que privilegia a juventude e a suposta maior disposição para a inovação.
A situação dos aposentados que continuam trabalhando
Outro grupo afetado pelo Etarismo na Caixa Econômica são os aposentados que decidem continuar trabalhando. Embora a aposentadoria seja um direito garantido pela Constituição, muitos trabalhadores se veem compelidos a seguir no mercado de trabalho após a aposentadoria para complementar sua renda. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 30% dos aposentados no Brasil continuam trabalhando, seja pela necessidade financeira ou pelo desejo de manter-se ativos.
A realidade econômica brasileira, com altos custos de vida e inflação persistente, tem levado muitas pessoas a postergar a aposentadoria ou até mesmo a procurar alternativas para continuar gerando renda. Muitos dos empregados aposentados que ainda permanecem na Caixa estão em uma situação complicada: seus salários continuam altos devido às promoções, bem como à incorporação de funções de confiança ao longo dos anos, em alguns casos, mas esses mesmos funcionários não exercem mais essas funções. O cenário cria um desconforto tanto para os trabalhadores, que são muitas vezes relegados a tarefas mais simples, quanto para os mais jovens, que, em alguns casos, veem esses colegas como um "fardo" para o departamento.
O impacto da aposentadoria antecipada e os desafios financeiros
Muitos trabalhadores, mesmo próximos da aposentadoria, optam por continuar trabalhando devido ao medo de perda de renda. A aposentadoria, muitas vezes, implica uma redução significativa na remuneração, o que leva muitos a permanecer no mercado de trabalho mais tempo do que desejariam. Esse fenômeno é particularmente acentuado para os trabalhadores da Caixa Econômica, que, apesar de estarem em função de confiança ou não e com um longo tempo de serviço, enfrentam dificuldades econômicas quando deixam de trabalhar.
A perda de renda após a aposentadoria é um dos maiores desafios para essa população, que, em muitos casos, sente-se forçada a continuar em suas funções ou até mesmo a buscar trabalho em outros setores. Isso ocorre porque a previdência social e a Funcef nem sempre são suficientes para garantir a manutenção do padrão de vida anterior à aposentadoria. Essa situação não só traz um desgaste emocional e físico para os trabalhadores mais velhos, mas também contribui para o aumento do Etarismo no ambiente corporativo.
O que pode ser feito para inibir o Etarismo na Caixa Econômica Federal
A mudança dessa realidade passa por uma série de ações voltadas para a inclusão de trabalhadores mais velhos. A seguir, destaco algumas sugestões essenciais que podem ser implementadas para inibir o Etarismo na Caixa Econômica Federal:
1. Treinamentos de Inclusão Etária: É fundamental a implementação de programas de sensibilização para gestores e colegas de trabalho sobre os efeitos negativos do Etarismo. Os treinamentos devem visar a promoção da valorização da experiência e a igualdade de oportunidades para todas as faixas etárias.
2. Promoção de Políticas de Carreira Inclusivas: A Caixa Econômica deve investir em programas de desenvolvimento de carreira que considerem as competências adquiridas ao longo dos anos e não apenas a adaptação às novas tecnologias. Avaliar a experiência dos trabalhadores mais velhos de forma justa e transparente pode incentivar sua permanência e ascensão profissional.
3. Criação de Programas de Mentorias: Estimular os empregados mais experientes a fim de que possam compartilhar seu conhecimento com as novas gerações, contribuindo para a formação de futuros líderes e fortalecendo a cultura organizacional. Além disso, as políticas de incentivo à capacitação e ao desenvolvimento de novos conhecimentos podem ajudar a quebrar o estigma da desatualização, permitindo que os trabalhadores mais velhos se sintam mais motivados a contribuir com suas habilidades.
4. Incentivo à Transição para Aposentadoria: Para os trabalhadores próximos à aposentadoria, é importante criar programas que facilitem a transição, com opções de redução de jornada ou programas de mentorias, de modo que eles possam continuar contribuindo para a empresa de uma forma mais adaptada às suas novas condições.
5. Políticas de Diversidade Etária: A Caixa Econômica pode adotar políticas de diversidade etária, estabelecendo metas para garantir a inclusão de profissionais de todas as idades, combatendo qualquer tipo de discriminação etária nas promoções e relações de trabalho.
Conclusão
O Etarismo na Caixa Econômica Federal representa um desafio significativo para a instituição, afetando tanto os trabalhadores com mais tempo de serviço quanto os aposentados e aqueles que optam por continuar trabalhando. Para enfrentar essa realidade, é essencial que a instituição adote políticas inclusivas que promovam a valorização da experiência e o respeito às diferentes faixas etárias. A implementação de treinamentos, programas de carreira e políticas de diversidade etária pode ser um passo importante para garantir um ambiente de trabalho mais justo e igualitário para todos os seus colaboradores, independentemente da idade.
JOSE FERREIRA DA SILVA
Diretor de Relações com Aposentados AGCEF/IBA
Me. Contabilidade